Jaisalmer – India

Jaisalmer foi pra mim um dos ápices de minha viagem. Uma cidade pequena de 80 mil habitantes e muito famosa entre turistas que vão até a India pra conhecer o famoso deserto de Thar. A maior atração da cidade é o Camel Safari, onde fui até o coração do deserto indiano localizado na fronteira do Paquistão, e dormi ali, olhando as estrelas e apreciando o frio. Escrevendo isso depois de quase 2 meses que estive lá me surge uma sensação estranha. Nem acredito que tive essa oportunidade e essa grande experiência na vida.

Mas vamos lá, cheguei a cidade praticamente de madrugada, junto com Bernard e Samer, amigos que fiz em Jodhpur, e o frio era descomunal. No deserto a temperatura durante o dia bate os 40 graus e a noite beira os 0 graus. Fomos pro Hostel localizado bem proximo da estação de trem e chegando lá vimos que a edificação do local era bem antiga, acordando no dia seguinte e andando pela cidade entendi que não era somente o hostel mas sim a cidade inteira naquela atmosfera medieval, clima desértico, camelos, cabras, vacas pela rua, ruas de terra, e claro o comércio a céu aberto me fazia sentir na idade média. Uma cidade viva, mas parada no tempo.

Enquanto o pessoal do hostel ia aparecendo no rooftop, o papo já logo começa e vi que todos que ali estavam iriam fazer o Camel Safari naquele dia, então ja sabíamos com quem iriamos fazer o passeio e passar a noite no deserto.

E mais uma vez bate uma saudade gigante, fomos em 9 pessoas para o deserto, eu de brasileiro e o único da America do sul, Bernard da Bélgica, Samer da Suécia, Cey e Ime da Holanda, Olivia e Andy da Inglaterra, Rachel da Australia e Glenn dos EUA. Rapaziada toda na mesma faixa de idade, na mesma pegada, e quando vimos que o time era a gente ali, ficamos muito felizes. Todo mundo se gostou logo de cara e tínhamos certeza que iria ser uma grande experiência. Friozinho na barriga e lá fomos nós.

Junto com a gente foi um guia indiano muito boa gente e cheio de histórias, ele levou a gente de Jeep até certo ponto e depois fomos de camelo por cerca de 1 hora até chegar no coração do deserto. E lá fomos nós 9. Dentro do Jeep aquela ansiedade e aquele olhar surpreso admirando toda aquela atmosfera. Um cenário bem diferente de todas as outras cidades que fui na Índia e em qualquer outro lugar que estive na minha vida, novamente a frase clichê que estou usando em quase todos os meus posts, mas não tem como não usá-la novamente, era um cenário de filme. Na estrada de terra sem fim que o Jeep seguia eu ficava olhando pela janela, sentindo a brisa quente desértica no rosto e não vendo nada além de vacas e terra, éramos só nós 9 e mais o guia literalmente sozinhos naquela imensidão. Eu naquele momento segui o conselho de um grande amigo, Edgard, abria meu google maps no celular a todo instante e dava zoom e tirava zoom pra ter idéia do lugar onde eu estava no globo terrestre, e lá estava eu, no meio do nada, no meio do deserto do Rajastão, apenas 30km da fronteira do Paquistão e em pleno continente asiático. E meus amigos que sentimento gostoso olhar o mapa e ver o pontinho que você está, que sentimento de exploração, de aventura, de quebra de medos, de paradigmas e assim vai. Obrigado Edgard, seu micróbio.

Fizemos uma parada numa linda edificação abandonada e cada um foi pro seu canto tirar suas fotos e apreciar a paisagem inédita pra todos ali.

Dei uma andada pra uma outra direção e me deparo com um pastor andando com suas ovelhas, eu naquele período da viagem estava terminando de ler o Alquimista do Paulo Coelho e a história é sobre um pastor que decide viajar para explorar e encontrar um tesouro que almejava. Na hora que vi o pastor já me remeti ao personagem do livro e que momento feliz vivi ali, deitei no chão bem à vontade, na beira de um pequeno lago e fiquei ali, admirando as ovelhas passarem na minha frente e o pastor a guiar elas.

Lindo momento, tirando as picadas de formiga na perna que me fizeram levantar dali do chão um pouquinho mais cedo.

Voltando pro jeep não teríamos mais paradas, a próxima já seria o lugar onde encontraríamos os camelos. Chegando lá cada um escolhe seu camelo e vamos seguindo em direção ao deserto.

É desconfortável andar no camelo, mas no dia seguinte, na volta, comecei a correr com ele, e por incrível que pareça é bem mais confortável quando o bichinho está correndo. Valeu a experiência, não sei se faria novamente não, o camelo é bem mal cuidado e da dó de ver, não me arrependo, mas não sei se faria de novo não. Sem julgamentos.

Depois de pouco mais de uma hora finalmente chegamos no deserto, e meus amigos, de verdade mesmo, todo aquele cenário é de emocionar, chorava e ria ao mesmo tempo, nunca estive num deserto antes e ter a oportunidade de poder ver aquela obra prima feita pela natureza foi impactante demais pra mim. As dunas de areia parecendo que foram desenhados a mão, a cor do sol diferente de tudo que já vi, nem um pingo de poluição no céu, e o guia vendo o pessoal todo empolgado disse, fiquem tranquilos que o melhor está por vir, espera escurecer pessoal. E eu ali, não sabendo se queria que o sol demorasse pra se pôr ou se queria que a noite viesse logo pra eu poder ver as estrelas. Quando o sol estava quase se pondo, corri pro topo de uma duna e meditei por ali vendo o sol dar tchau pra mim. Que momento meus amigos.

A noite vai surgindo e as estrelas vão aparecendo. E ai é algo que eu jamais, em hipótese alguma, vou esquecer na minha vida. O céu minado de estrelas, numa quantidade e intensidade de luz que meus olhos nunca viram antes, o pescoço chegava a doer de tanto olhar pra cima, deitávamos na areia pra descansar o pescoço e manter os olhos no céu. E por mais que eu ficasse olhando pra todas aquelas estrelas, por minutos, horas, dias, nunca iria ser suficiente, nunca iria me cansar de ver aquilo e acho que vocês também não.

O guia tinha uns instrumentos musicais de percussão e cantava pra gente músicas culturais indianas. Bem legal. Fez uma grande fogueira e ficamos todos em volta da fogueira cantando, conversando, nos conhecendo. Samer deu a idéia de um jogo de perguntas, respondíamos sim ou não, e depois de todos responderem, se quiséssemos, podíamos justificar a resposta.

E eram diversas perguntas polêmicas, sobre aborto, pena de morte, descriminalização de drogas, casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção por pais do mesmo sexo, fronteiras abertas pelo mundo, jogos de azar, eutanásia, experimentos em animais, censura, prostituição, caça de animais, Deus, religião. Tem mais, é que não consigo me lembrar de tudo.

E com isso ví que 9 pessoas sendo de 8 países distintos tem tanta diferença e ao mesmo tempo tanta similaridade de idéias. Eu ali escutando o porquê de cada resposta conseguia ver coerência em todas elas. Por mais que não concordasse, entendia a pessoa por pensar daquele jeito. E era engraçado eu ali analisando as respostas de cada um, e vendo como a cultura de cada um pensa sobre determinado assunto.

Samer era ácido, sabia como ninguém provocar uma boa discussão, claro sem brigas, era discussão de alto nível, e ele ali fazia meio que a função de mediador somente provocando e espremendo de todos conclusões coerentes, fazendo todos refletirem, lembrei muito de um outro grande amigo, Bruno Miller, ambos são aquele tipo de pessoa que tudo questionam e fazem você pensar em todos seus argumentos e todas as incoerências que você possa acabar pensando sobre um determinado assunto. Tem gente que não curte pessoas assim, pensar dá trabalho, exige tempo, exige reflexões, e pode ser indigesto, é difícil pensar fora da caixa, estar aberto a opiniões diferentes e repensar aquela velha opinião formada sobre tudo não é tarefa fácil, tem que gostar. Tem pessoas que preferem conversar somente de outros assuntos, assuntos mais digestivos, não se aprofundar em temas polêmicos, não julgo, pessoas são diferentes, diferentes gostos, ninguém é melhor do que ninguém, é questão de gosto, eu, Rodrigo, já adoro esse tipo de conversa, lembro dos papos filosóficos com o Bruno e os audios dele enviado por WhatsApp de 40 minutos, tenho salvo até hoje numa pasta. Aprendi e aprendo muito com o Bruno, e aprendi muito ali naquela conversa na fogueira com pessoas de diferentes partes do mundo, e acredito que todos também saíram de lá com um ponto de vista diferente em relação a todos aqueles assuntos abordados. Momento bom demais. Obrigado Samer. Obrigado Bruno.

Depois de alguns copos de whisky e cerveja, todos foram dormir e eu ainda estava acordado, apreciando o silêncio ensurdecedor do deserto e a iluminação das estrelas, deitei me preparando pra dormir quando uma claridade começava a surgir, era a lua vindo dizer boa noite. Em torno das 11 horas da noite ela surgiu e clareou todo o deserto, as estrelas deram uma apagada e a lua ficou ali reinando no céu.

Ali senti um dos maiores frios que senti na vida, e olha que levei bastante roupa, mas não foi suficiente. O frio do deserto é congelante, mas nada melhor que um porre de whisky pra dar uma esquentada. Peguei no sono olhando pra estrelas e pra lua extremamente realizado. Conheci o deserto, vi um mar de estrelas no céu, a lua surgiu pra me dar boa noite e eu ali adormeci num ápice de felicidade raro até então pra mim.

Nunca pensei nisso antes, mas ali naquele exato momento, um pouco antes de adormecer me veio algo na cabeça que nunca antes tinha vindo. Era tanta satisfação de estar vivendo aquilo, uma alegria imensurável dentro de mim, que pensei que se morresse ali, morreria feliz, já era suficiente.

Coisa de maluco, eu sei, pode julgar. Mas foi o que pensei na hora, a realização era tanta que me senti completo, já podia ir dessa pra melhor, mas, aqui estou, vivo e com sede, querendo mais.

Foi bom sentir isso pela primeira vez, sentimento inédito e que se repetiu em outra cidade na viagem, Varanasi.

Uma frase que ouvi do personagem Nemo do filme Mr. Nobody (2009) me veio na cabeça na hora:

Não tenho medo de morrer. Tenho medo de não ter vivido o suficiente. Devia estar escrito em todos os quadros-negros nas escolas: A vida é um Playground, ou nada.

Obrigado Universo.

Dia seguinte tomamos café por ali mesmo e voltamos para o Hostel.

Ainda fomos convidados para gravar um filme ali no deserto, fazer figuração, de manhã chegaram diversas vans com equipe de filmagem, atores e tal, filme de Bollywood, mas não aceitamos, iriamos perder ali em torno de 8 horas, e todos estavam com passagens de trem compradas pros próximos destinos.

Voltamos pro hostel, almoçamos e jantamos todos juntos e a noite era hora de dar tchau. Diferente da última cidade, naquele momento cada um iria pra um destino diferente e por mais que estivéssemos juntos, alguns por 4 dias e outros por apenas 2, foi difícil demais dar tchau pra rapaziada. Criamos os 9 um elo forte, tivemos juntos momentos de alegria muito grande e na hora de dar tchau, lágrimas nos olhos. Países tão distantes, é difícil saber quando nos encontraremos ou sequer se nos encontraremos novamente, chorei, e vi gente chorando também. Mais difícil ainda foi dar tchau pra Samer e Bernard que vieram comigo de Jodhpur e o tanto que aprendi com esses caras é algo que vou levar pra vida toda, viajantes experientes, diversos países explorados, e muita história pra contar. Me tratavam como irmão mais novo, me ensinando a negociar com os tuk tuks, me dando bronca pra desligar a internet do celular e me contando suas histórias de viagens, e foram várias e várias histórias. Aprendizados e mais aprendizados e eu ali só escutando, observando e aprendendo. Depois dessa cidade segui o conselho deles e desliguei a internet do meu celular e só usava quando chegava no wifi do hotel e isso mudou definitivamente minha viagem, pra quem for viajar longo prazo, faça isso, desencane um pouco desse câncer que é o celular. Tu aproveita e se atenta muito mais quando esquece que ele existe. Obrigado Samer e Bernard, ainda vou pra Suécia e Bélgica com toda certeza e ainda vamos tirar uma onda por ai!

Jaisalmer foi isso, e na minha opinião e na opinião de muita gente, é parada mais que obrigatória na Índia. Vá pra lá!

Muitas alegrias, muitos aprendizados.

Obrigado Jaisalmer.

Obrigado Universo.

Lá embaixo depois do texto em inglês estão algumas fotos que tirei em Jaisalmer.


English:

Before you start reading I want to apologize for my English. English is not my first language and it’s still a challenge for me. That’s why I still continue my studies in English. Surely there are errors here in the text. I sincerely apologize.

Jaisalmer was one of the highlights of my trip. A small town of 80 thousand people and very famous among tourists that go to India to know the famous desert of Thar. The biggest attraction of the city is the Camel Safari, where I went to the heart of the Indian desert located on the border of Pakistan, and slept there, staring at the stars and enjoying the cold. Writing this after almost 2 months I’ve been there I get a strange feeling. I can not believe I had this opportunity and this great experience in life.

But come on, I arrived in the city practically at dawn, along with Bernard and Samer, friends I made in Jodhpur, and the cold was huge. In the desert the temperature during the day hits 40 degrees and the night was 0 degrees. We went to the Hostel located very close to the train station and arriving there we saw that the building was very old, waking up the next day and walking around the city I understood that it was not only the hostel but the whole city in that medieval atmosphere, camels, goats, cows on the street, dirt roads, and of course the open-air trade made me feel in the middle ages. A living city, but stopped in time.

While the travelers from the hostel were appearing on the rooftop, the chat started shortly and I saw that everyone who was there was going to do the Camel Safari that day, so we already knew who we were going to do the tour with and spend the night in the desert.

And once again I miss so much those memories, we went in 9 people to the desert, me from Brazil and the only one from South America, Bernard from Belgium, Samer from Sweden, Cey and Ime from Holland, Olivia and Andy from England, Rachel from Australia and Glenn from the USA. All travelers in the same age group, in the same vibe, and when we saw that the team was us there, we were very happy. We were sure it would be a great experience.

Along with us was a very good Indian guide and full of stories, he transported us from Jeep to a certain point and then we went on a camel for about an hour until we reached the heart of the desert. And there we went. Inside the Jeep I felt anxiety and that surprised look admiring the whole atmosphere. A very different scenario from all the other cities I’ve been in India and anywhere else I’ve been in my life, again the cliché phrase I’m using in almost all my posts, but can not use it again, it was a movie set. On the endless dirt road that the Jeep followed I was staring out the window, feeling the hot desert breeze on my face and seeing nothing, just cows and earth, it was just us and the guide literally alone in that vastness. At that moment I followed the advice of a great friend, Edgard, opened my google maps on my cell phone at all times and zoomed in and out to get an idea of where I was on the globe, and there I was, in the middle of nowhere, in the middle of the Rajasthan desert, just 30km from the Pakistan border and on the Asian mainland. And dear friends, what a happy feeling to look at the map and see the location that I was, what a feeling of exploration, adventure, fear-breaking, paradigm and so on. Thank you Edgard, microbe. We stopped at a beautiful abandoned building and each one went exploring it and taking their photos and enjoying the beautiful scenery.

I took a walk in another direction and I came across a shepherd walking with his sheep, I at that time of the trip was finishing reading the book “The Alchemist”, the author Paulo Coelho and the story is about a shepherd who decides to travel to explore and find a treasure he desired. The moment I saw the shepherd I remembered the character of the book and what a happy moment I lived there, I lay on the ground, on the edge of a small lake and stood there, admiring the sheep passing in front of me and the shepherd to guide them.

Gorgeous moment, taking the ant bites on the leg that made me get up off the ground a little earlier.

Coming back to the jeep we would not have any more stops, the next one would already be the place where we would find the camels.

Arriving there each one chooses his camel and we follow towards the desert.

It’s uncomfortable riding the camel, but the next day on the way back, I started running with it, and incredible as it may seem, it’s a lot more comfortable when the camel is running. It was worth the experience, I do not know if I would do it again, the camel is very poorly cared for and I do not regret it, but I do not know if I would do it again. No judgement.

After a little over an hour we finally arrived in the desert and my friends, really, all that scene was so beautiful, I cried and laughed at the same time, I’ve never been in a desert before and have the opportunity to see that masterpiece made by nature was too shocking for me. The sand dunes looking like it was drawn by hand, the color of the sun unlike anything I’ve ever seen, the sky totally clear, and the guide watching the travellers all excited said, relax, the best is yet to come, wait till dark.

When the sun was almost set, I ran to the top of a dune and meditated there watching the sun waving goodbye to me. What a moment my friends. Obrigado Universe.

The night was rising and the stars were appearing. And there is something that I will never, in any case, forget in my life. The sky full of stars, in an amount and intensity of light that my eyes had never seen before, my neck ached from looking up, we lay on the sand to rest our necks and keep our eyes on the sky. And I could look at all those stars, for minutes, hours, days, it would never be enough, I would never tire of seeing that and I do not think you either.

The guide had percussion musical instruments and sang to us Indian cultural songs. Cool. He made a big bonfire and we all stayed around the fire singing, talking, meeting each other. Samer gave the idea of a game of questions, and after everyone answered: yes or no, if we wanted, we could justify the answer.

And there were several controversial questions about abortion, death sentence, drug decriminalisation, same-sex marriage, same-sex adoption, free borders, euthanasia, animal experiments, prostitution, hunting of animals, God, religion. There are more, I just can not remember everything.

And with that I saw that 9 people from 8 different countries have so much difference and at the same time so much similarity of ideas. I was there and listening to the explanation of each answer and I could see coherence in all of them. And even if I did not agree, I could understand the person by thinking that way. And it was funny that I was analyzing the answers of each one, and seeing how each one’s culture thinks about a certain subject.

Samer is clever, he knew how to provoke a good discussion, it was a high-level discussion, and he acted like as mediator, provoking and demanding of all coherent conclusions, making everyone reflect, I remembered a great friend Bruno Miller, both are those kind of people who question everything and make you think of all yours arguments and all the incoherences that you might end up thinking about a certain subject. There are people who do not like people like that, think it takes work, it takes time, it requires reflection, and it can be indigestible, it’s hard to think outside the box, it’s hard to be open to different opinions and rethink that old opinion formed about everything, all of that are not an easy task, you have to like it. There are people who prefer to talk only about other subjects, more digestive issues, not talking about controversial subjects, people are different, different tastes, nobody is better than nobody, it is a matter of taste, I, Rodrigo, I love this kind of conversation, I remember the philosophical chats with Bruno and his audios that he sent to me via WhatsApp for 40 minutes, I’ve saved the audios to this day in a folder. I learned a lot from Bruno, and learned a lot from that campfire talk with people from different parts of the world, and I believe that everyone also came out with a different point of view in relation to all those issues. Momento too good. Thank you Samer. Thank you Bruno.

After a few glasses of whiskey and beer, everyone went to sleep and I was still awake, enjoying the silence of the desert and the illumination of the stars, I lay preparing to sleep when a light begins to appear, it was the moon coming to say good night. At about 11:00 pm the moon appeared and cleared the whole desert and stayed there reigning in the sky.

There I felt one of the biggest colds in my life, and I took a lot of clothes, but it was not enough. The cold of the desert is freezing, but nothing better than a bunch of whiskey to give a warmed. I fell asleep looking at the stars and the moon and was extremely accomplished, I’ve met the desert, I saw a sea of stars in the sky, the moon appeared to give me good night and I fell asleep there in a hint of happiness rare until then for me.

I never thought of it before, but right there, just before I fell asleep something came into my head that had never come before. It was so satisfying to be living it, an immeasurable joy within me, that I thought if I died there, I would die happy, that was enough.

Crazy thing, I know, you can judge. But it was what I thought at the time, the realization was so much that I felt complete, but, here I am, alive, wanting more.

It was good to feel this for the first time, an unprecedented feeling that was repeated in another city on the journey, Varanasi.

A quote I heard from the character Nemo from the movie Mr. Nobody (2009) came to mind at the time:

I’m not afraid of dying. I’m afraid I haven’t been alive enough. It should be written on every school room blackboard: Life is a playground – or nothing.

Next day we had coffee in the desert and went back to the Hostel.

We were even invited to participate in a movie there in the desert, in the morning arrived several vans with film crew, actors. Bollywood movie, but we did not accept it, we would lose there around 8 hours, and we all had train tickets bought for next destinations.

We went back to the hostel, had lunch and had dinner together and the night was time to say goodbye. Unlike the last city, at that moment each traveler would go to a different destination. And we were together, some for 4 days and some for just 2, it was too hard to say goodbye to the guys. We created a strong friendship, we had moments of great joy together and at the moment of saying goodbye, tears in the eyes. Countries so far away, it is difficult to know when we will meet or even meet again, I cried, and I saw people crying too. Even more difficult was to say goodbye to Samer and Bernard who came with me from Jodhpur and how much I learned from these guys is something I’ll take for a lifetime, experienced travelers, several countries explored, and lots of stories to tell. They treated me like a younger brother, teaching me how to negotiate with tuk tuks, giving me the urge to disconnect the internet from my cell phone and telling me their travel stories, and there were several stories. Learnings a lot, and I just listening, watching and learning. After that city I followed their advice and I disconnected the internet from my cell phone and only used it when I arrived at the hostel wifi and that definitely changed my trip, for those who travel long term, do it, get rid of that cancer that is the cell phone. You take advantage and look much more when you forget that it exists. Thanks Samer and Bernard, one day I’m going to Sweden and Belgium for sure and still have a beer together!

Jaisalmer was that, and in my opinion and in the opinion of many people, it is more than obligatory stop in India. Go there!

Many joys, lots of learning.

Thank you Jaisalmer.

Thank you Universe.

Obrigado Universo.

Below are some photos I took in Jaisalmer.

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2 thoughts on “Jaisalmer – India

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