Pushkar – India

Written in Portuguese and English.

 


Faz um bom tempo que não escrevo, fui deixando sempre pro dia seguinte e esse dia nunca chegava. 

Chegou.

Fico triste por isso, queria que fosse mais rotineiro o ato de escrever, mas ao mesmo tempo se crio uma rotina pode acabar deixando de ser divertido e se tornar algo mecânico e obrigatório. Então por enquanto vou no meu tempo.

Faz 9 meses que visitei a cidade de Pushkar e pra me remeter ao lugar, coloquei aqui no meu quarto uma playlist indiana pra tocar, as fotos que tirei da viagem no slideshow do computador, um incenso, café, papel e lápis na mão. Desse jeito me conecto mais. 

Pushkar foi a minha cidade preferida na Índia. Ali encontrei paz, relaxei, descansei de um certo caos que vivenciei nas outras cidades e a sensação de tranquilidade e calmaria era presente a todo momento. Algo difícil de explicar, mas fácil de sentir estando lá.

Pushkar é um pequena cidade de 21 mil habitantes. Logo quando chegava na cidade de ônibus pude notar que iria valer a pena. A geografia é muito bonita e dentro do ônibus poder ver de longe toda a cidade em volta do lago e as montanhas ao fundo, me fez sentir uma sensação boa. Pensava comigo: “Acho que aqui vai ser legal”. E tava certo. Foi. Lá embaixo depois do texto vocês vão ver algumas fotos e entender melhor o que estou falando.

O plano era ficar um dia, mas acabei ficando quatro. De fato um dia é mais que suficiente para conhecer a cidade, mas ali fiz amigos, relaxei da intensidade das cidades que tinha visitado e conheci o Special Lassi. Esses acontecimentos fizeram que eu ficasse mais tempo ali naquela cidade. Tempo curto, ficaria mais tempo tranquilamente, mas tinha outras cidades pra conhecer e a viagem tinha que seguir.

Na estação de trem vindo de Jaisalmer conheci Kevin e Anouska, ficamos na mesma cabine do trem e ali foi onde começou uma grande amizade.
Chegamos na estação de Ajmer e pegamos um ônibus para Pushkar, assim que colocamos os pés na cidade fomos a um restaurante almoçar, restaurante pequeno mas a vista era incrível, a gente conseguia ver a cidade toda enquanto almoçávamos. Comida muito boa também. Uma das melhores que comi em toda a Índia. 

Eu já tinha reservado um hostel e Anouska e Kevin também ja tinham feito a reserva, mas num outro lugar. Fiquei no Madpackers Hostel, um pouco afastado do centro da cidade, mas não me arrependo, a arquitetura do lugar, rooftop, quartos, eram de muito boa qualidade. Tinha um pessoal muito legal ali também, a noite ficávamos no rooftop conversando até tarde, coisa típica de hostel.

A cidade de Pushkar é infestada de hippies, claro que é muito comum ver na Índia o pessoal desse estilo, principalmente em Rishikesh, a última cidade que visitei, mas em Pushkar a quantidade é muito maior. Era hippie de tudo quanto é lugar do mundo e em todos os lugares da cidade. 

Eu andava por lá com as roupas que costumava usar na Austrália e me sentia mal, sei lá, me sentia engomadinho no meio da rapaziada com aquelas roupas coloridas e nada combinando com nada. Ou tudo combinando com tudo. Ai vai do teu ponto de vista.

Era engraçado e estranho ao mesmo tempo, pois ver um hippie hoje na cultura e sociedade que vivo é algo incomum, mas lá não, o incomum era ver alguém que se vestia como eu. O incomum da vez era eu. Mas não durou muito tempo.

Eu tava sozinho pela tarde do primeiro dia, não tinha encontrado com Kevin e Anouska, e loco pra puxar assunto com alguém, entender mais da cidade e claro da rapaziada toda colorida. Parei num lugar pra tomar um chá e já logo fui puxando assunto com um pessoal muito bacana que quando descobriram que eu era brasileiro fizeram aquela festa toda.

Como é bom ser brasileiro!

Era um pessoal de Israel, Inglaterra, Alemanha, Japão, Chile e Peru. Tudo na mesma pegada hippie. O que me surpreendeu foi o tempo que eles estavam lá na cidade.

Eram mochileiros que começaram a viajar pela Índia e que quando encontraram Pushkar resolveram permanecer mais tempo por lá. O Inglês morava por lá faziam 3 meses, a japonesa conheceu o peruano, começaram a namorar e já estavam a 5 meses na cidade. O mais chocante era uma alemã que morava em Pushkar por mais de 1 ano. Pra se manter financeiramente ela começou a trabalhar em um restaurante e organizar eventos para reunir mochileiros. 

E isso tudo descobri só porque parei pra tomar um chá.

Escutando as histórias da rapaziada acabei descobrindo que é muito comum gente do mundo inteiro morar ali em Pushkar. O por quê?

De primeiro impacto, não conseguia entender e até julgava erroneamente. Mas lá pro segundo e terceiro dia de estadia na cidade pude entender perfeitamente. É totalmente compreensível ver tantas pessoas de diferentes backgrounds morando ali. E na minha opinião a resposta é a paz que aquele lugar transmuta. E por mais que você lendo isso possa achar demagogo, saiba que é verdade. Algo diferente eu senti ali e pude entender toda aquela quantidade de gente que largou muitos planos pra ficar por lá.

Minhas palavras não vão ser suficiente pra te colocar na atmosfera de Pushkar, nem fotos ou vídeos. Posso tentar, mas sentir o que foi, o que é Pushkar, você precisa estar lá.

E foi isso que me fez mudar todo cronograma, perder passagem de trem, reserva de hostel, dinheiro, tudo pra poder curtir mais aquele momento, aquela cidade, aquela paz. E claro, obrigado Amit, o cara que me enrolou, me vendeu as passagens, que tomou meu dinheiro em Delhi mas que por sua indicação eu conheci a magia que é minha cidade preferida até então no planeta Terra.

Nada é por acaso.

Nos outros dias em Pushkar passei a maior parte do tempo com Anouska e Kevin, grandes amigos que a viagem me proporcionou e que até hoje mantemos contato. Os dois são de Londres. Kevin tem um biotipo raro de se ver na Índia, onde ele passava era gente querendo tirar foto e encostar nele. Kevin é alto, branco, mas bem branco mesmo e ruivo. Os indianos achavam que estavam em contato com algum marciano. Era engraçado ver a reação das pessoas, e Kevin, malandramente tirava onda, não se incomodava e fazia a festa. 

No segundo dia resolvemos experimentar o famoso Bhang Lassi, também conhecido como Special Lassi. E desculpa família se estiverem lendo isso, mas experimentei e olha…

É bom viu?!

O Bhang Lassi é um iogurte feito a base de uma pasta de cannabis. Segundo os indianos é bem mais forte que a maconha e tem que tomar cuidado, pois o efeito demora pra bater e quando bate, meus amigos, é forte.

Na primeira vez compramos dois lassis e dividimos em três copos, pra mim, Anouska e Kevin. Marinheiros de primeira viagem na arte do lassi tomamos e esperamos ansiosamente o efeito. O sabor é bem gostoso, docinho e da vontade de repetir, mas fomos alertados pra ir com calma. E fomos. Segundo o tiozinho que nos vendeu era só esperar 30 minutos que a gente iria conhecer nosso novo parceiro de viagem. O Bhang Lassi.

Saímos do restaurante onde compramos o lassi e fomos dar uma volta pela cidade. Lembro como se fosse hoje que um perguntava pro outro a todo instante se já tinha batido o efeito. E até então nada. Continuamos perambulando por Pushkar e de repente no meio do comércio.

Boom. 

Um olha pra cara do outro e não precisávamos mais dizer nada.

Um olhar basta mais que mil palavras.

O Bhang estava conosco.

Bom, é forte, quem um dia for pra Índia e quiser experimentar saiba que é totalmente legalizado, e não tem nada demais, sem preconceitos e julgamentos pré históricos por favor. Eu aconselho experimentar, mas vai com cuidado, não toma um lassi inteiro na primeira vez, divide com alguém, relaxa e sente o efeito, sem paranóia e sem medo. As cores ficam mais intensas, tato, paladar, visão, sentimentos, intuição, minha mente não parava de trabalhar um minuto sequer.
A gente andando sob o efeito de bhang pelo meio do comércio de Pushkar foi, desculpa o termo, foda. Vendo tudo aquilo diferente do que estávamos acostumado a ver na nossa rotina, aquelas cores, aqueles cheiros, macaco pulando de loja em loja, vaca no meio da rua, e todas aquelas cores nos nossos olhos foi algo inédito e que se repetiu nos outros dias na cidade.

Gastei um dinheiro comprando acessórios, roupa, pulseira, colar e tudo que tinha direito. Pensava na minha cabeça cheia de bhang “Hoje eu viro hippie, foda-se tudo”.

Fomos depois dar uma volta no lago onde encontrei um senhorzinho que ficava tocando um instrumento de corda feito a mão, o som entrou na minha cabeça de uma forma que eu não consigo esquecer até hoje, aquele som meditativo somado com o efeito do Bhang, Ulalá. Foi muito intenso.

Cheguei no hostel e comecei organizar minhas coisas que estavam uma bagunça e do nada resolvi jogar fora todas minhas antigas roupas, falei que não ia usar mais nada daquilo, tinha comprado um monte de roupa aquela tarde e aquelas seriam minhas roupas até o final da viagem.

Abracei o estilo hippie até um certo tempo depois da viagem, barba grande, cabelo comprido, pulseira, roupa colorida e etc. 

Hoje to mais diferente, a Austrália me deu uma encaretada novamente e estou mais contido, mas só nas roupas. A idéia de “menos é mais” vem sendo cada vez mais presentes na minha vida e o apego as coisas materiais deixam de fazer sentido depois de uma viagem daquelas.

To feliz hoje e também fui muito feliz quando estava daquele jeito, são fases diferentes e quem me conhece sabe que adoro essas transições, de vivenciar diferentes momentos, de me tornar diferente e de não saber o que serei amanhã.

Esse sentimento de sempre estar em mudança e de não saber o que vem pela frente me motiva e me faz querer conhecer mais de tudo e mais de mim mesmo.

Outra coisa que quero escrever até pra registro próprio foi quando no terceiro ou quarto dia, tomei o Bhang sozinho, e andando pela cidade do nada me veio uma idéia de gravar um vídeo para meus filhos.

Mas tem um detalhe, eu não tenho filhos.

Pode rir, eu to escrevendo e rindo aqui.

Queria gravar uma mensagem pra eles num momento que eu estava muito feliz, realizado, me sentindo numa das melhores fases da minha vida, explorando um país sozinho e explorando a mim mesmo.

O recado tinha que ser com aquele sentimento que eu estava sentindo lá naquela hora. O dia de amanhã é incerto e meu medo é que com o tempo o sentimento que senti acabe sendo esquecido, esfriado.

Quando amadurecemos, se não tomarmos cuidado, podemos perder um pouco da inocência, da coragem e perder o entendimento da imensidão do que somos capazes. 

E um conselho meu pra eles naquele momento da minha vida não será o conselho que eu darei quando tiver meus 50 anos. Hoje pode parecer loucura, parecer não, é loucura, mas é uma loucura interessante ao meu ponto de vista.

Imagina só no futuro, eu velhinho, com meus cabelos brancos e eles na juventude vendo o vídeo do pai, conversando com eles aos 26 anos de idade, sem ao menos ter conhecido a mãe deles, mas já querendo dizer e aconselhar algo pra garotada.

Pode ser que eles achem nada demais e deem risada do pai.

Pode ser que não.

Eu só vi o video uma vez, e não quero ver novamente, ta guardado comigo. Na hora certa eu resgato ele.

Quando isso acontecer eu escreverei sobre, e fica aqui o registro da loucura.

Beijo Filhos.

Acredito que aquela foi minha última experiência com o lassi. Em quase todas as cidades do estado do Rajastão você consegue encontrar o Bhang, mas senti que já era suficiente, já tinha brincado, feito minhas maluquices e não queria mais.

Fui embora de Pushkar com o coração apertado como nunca antes na viagem. Kevin e Anouska são incríveis, demos muita risada juntos e vivenciamos grandes momentos. Foi difícil dizer tchau pra eles, meus Special Lassi Friends!

A você que pensa em ir um dia pra Índia, vá pra Pushkar, vira hippie lá, toma um Bhang Lassi, curte o momento e grava um vídeo pros filhos.

Obrigado Pushkar, Kevin, Anouska, e claro obrigado Bhang Lassi.

Obrigado Universo.

 

Lá embaixo depois do texto em inglês estão algumas fotos que tirei em Pushkar.

 


English:

 

I have not written for a long time, I always leave it for the next day and that day never came.

I am sad because of this, I wanted to be more routine writing, but at the same time creating a routine can end up being fun and become something mechanical and mandatory. So, for now, I go in my time.

It’s been 9 months since I visited Pushkar. To write about this place, I put an Indian playlist to play in my room, the photos I took from the trip in the computer slideshow, an incense, coffee, paper and pencil in my hand. This way I connect more with what I have lived.

Pushkar was my favorite city in India. There I found peace, I relaxed, I rested from a certain chaos that I experienced in other cities and the sense of tranquility and calm was present at all times. Something difficult to explain, but easy to feel being there in that city.

Pushkar is a small town of 21 thousand inhabitants and is all around a very beautiful lake and mountains. Down below the text, you will see some pictures and better understand what I am talking about. Just when I arrived in the city by bus I could see that it would be worth it. The geography is very beautiful and inside the bus, I could see from far away the whole city around the lake and the mountains. It made me feel good. I thought to myself, “I think it’s going to be nice here.” And I was right.

The plan was to stay one day, but I ended up getting four. In fact, one day is more than enough to get to know the city, but there I made friends, I relaxed of the intensity of the cities that I had visited and I knew Special Lassi. These events made me stay there longer in that city. Short time, I would stay longer quietly, but I had other cities to meet and the trip had to follow.

At the train station in Jaisalmer I met Kevin and Anouska, we stayed in the same cabin of the train and there was where a great friendship began.

We arrived at Ajmer station and took a bus to Pushkar, as soon as we set foot in the city we went to a restaurant for lunch, small restaurant but the view was amazing, we could see the whole city while having lunch. Food very good also. One of the best I’ve eaten in all of India.

I had already booked a hostel and Anouska and Kevin had already booked, but somewhere else. I stayed at the Madpackers Hostel, a little bit away from the city center, but I do not regret it, the architecture of the place, rooftop, rooms were of very good quality. Nice people there as well, the night we stayed on the rooftop talking late, typical hostel stuff.

The city of Pushkar is infested with hippies, of course, it is very common to see in India the people of this style, especially in Rishikesh, the last city I visited, but in Pushkar, the amount is much greater. They were from all over the world and everywhere in the city.

I used to walk around in the clothes I used to wear in Australia and I felt bad, I do not know, I felt strange in the middle of the people with those colorful clothes and nothing matching anything. Or everything matching everything. There it goes from your point of view.

It was funny and strange at the same time because seeing a hippie today in the culture and society I live in is something unusual, but there, the unusual thing was to see someone who dressed like me. The unusual guy was me. But it did not last long

I was alone on the afternoon of the first day, I had not yet met Kevin and Anouska, and very willing to talk to someone, to understand more about the city and of course the colorful guys. I stopped in a place to have tea and soon I was talking to a very nice staff that when they discovered that I was Brazilian they made the party. How good to be Brazilian!

They were people from Israel, England, Germany, Japan, Chile, and Peru. All in the same hippie style. What surprised me was how long they were there in the city.

They were backpackers who started traveling around India and when they found Pushkar they decided to stay there longer. The Englishman lived there for 3 months, the Japanese met the Peruvian, they started dating and they were already 5 months in the city. The most shocking was a German who lived in Pushkar for over 1 year. To keep herself financially she began working in a restaurant and organizing events to gather backpackers.

And I figured that out just because I stopped for tea.

Listening to the stories, I discovered that it is very common for people from all over the world to live there in Pushkar.

Why?

From the first impact, I could not understand and even misjudged. But there for the second and third day of stay in the city, I could understand perfectly. It is totally understandable to see so many people from different backgrounds living there. And in my opinion, the answer is the peace that place transmutes. And as much as you reading this may find demagoguery, know that it is true. Something different I felt there and I could understand all that many people who left many plans to stay there.

My words will not be enough to put you in the atmosphere of Pushkar, nor photos or videos. I can try, but feel what Pushkar was, you need to be there.

And that was what made me change every schedule, lose train ticket, hostel reservation, money, everything to be able to enjoy that moment more, that city, that peace. And of course, thank you Amit, the guy who fooled me, sold me the tickets, he took my money in Delhi but by his appointment, I knew the magic that is my favorite city until then on planet Earth.

Nothing is by chance.

On the other days in Pushkar, I spent most of my time with Anouska and Kevin, great friends that the trip has provided me and who we still maintain contact with. The two are from London. Kevin has a rare biotype to see in India. Where he passed was people wanting to take a picture and touch him. Kevin is tall, white, but very white and redhead. The Indians thought they were in touch with some Martian. It was funny to see people’s reaction, and Kevin, cleverly amused, did not mind and had a party.

On the second day, we decided to try the famous Bhang Lassi, also known as Special Lassi. And sorry family if you’re reading this, but I tried it and…

It’s very good.

Bhang Lassi is a yogurt made from a cannabis paste. According to the Indians is much stronger than marijuana and have to be careful, because the effect takes time to take effect and when it takes effect, my friends, is strong.

The first time we bought two lassis and we divided into three glasses, for me, Anouska and Kevin. The taste is very tasty, sweet and the desire to repeat, but we were warned to take it easy. According to the guy who sold us, it was only a 30-minute wait that we would meet our new travel partner. The Bhang Lassi.

We left the restaurant where we bought the lassi and went for a walk around the city. I remember as if it were today that we asked each other at all times if we had already felt the effect. And until then nothing. We continued walking through Pushkar and suddenly in the middle of the city center.

Boom.

One looks at the other’s face and no longer has to say anything.

A look is more than a thousand words.

Bhang was with us

Well, it’s strong, anyone who goes to India one day and wants to try is totally legalized there, and without prejudices and prehistoric judgments, please. I advise experimenting but go carefully, do not take an entire lassi the first time, share with someone, relax and feel the effect, without paranoia and without fear. The colors become more intense, touch, taste, vision, feelings, intuition, my mind would not stop working for a minute.

We were walking under the bhang effect by the middle of the Pushkar trade was sensational. Seeing all that different from what we were used to seeing in our routine, those colors, those smells, monkey jumping from store to store, the cow in the middle of the street, and all those colors in our eyes was something unheard of and repeated on other days in the city.

I spent some money buying accessories, clothes, a bracelet and everything I had right. I thought of my head full of bhang “Today I turn hippie, fuck everything.” We then went for a walk in the lake where I met a little gentleman who was playing a handmade string instrument, the sound entered my head in a way that I can not forget until today, that meditative sound added to the effect of Bhang. It was very intense. Very good.

I arrived at the hostel and started organizing my things that were a mess and I decided to throw away all my old clothes, I said that I would not use any more of that, I had bought a lot of clothes that afternoon and those would be my clothes by the end of the trip.

I stayed in hippie style until a certain time after the trip, big beard, long hair, bracelet, colored clothes and etc. Today I am more different, Australia has changed me again and I am more restrained, but only in the clothes. The ideas of “less is more” are becoming more and more present in my life and the attachment to material things cease to make sense after a trip of those.

I’m happy today and I was very happy when I was like that, they are different phases and those who know me know that I love these transitions, to experience different moments, to become different and not knowing what I will be tomorrow.

This feeling of always being in change and not knowing what is ahead motivates me and makes me want to know more of everything and more of myself.

Another thing I want to write even for self-registration was when on the third or fourth day, I took Bhang by myself and walking around the city I came up with the idea of recording a video for my children.

But there is a detail, I do not have children.

You can laugh, I’m writing and laughing here.

I wanted to record a message to them at a time when I was very happy, fulfilled, feeling one of the best phases of my life, exploring a country alone and exploring myself.

The message had to be with that feeling I was feeling there at that time. Tomorrow is uncertain and my fear is that over time the feeling I felt would be forgotten, cooled.

When we mature, if we are not careful, we may lose some of the innocence, the courage, and lose the understanding of the immensity of what we are capable of.

And my advice to them at that moment in my life will not be the advice I’ll give when I’m in my fifties. Today may sound crazy, but it’s interesting from my point of view.

Imagine in the future, I old man, with my white hair and them in the youth watching the video of their father, talking to them at the age 26 years, without even having known their mother, but already wanting to say something to them.

They may find it something boring and laugh at their father.

Or maybe not.

I only saw the video once, and I do not want to see it again, it’s saved with me. At the right time, I rescued it.

When that happens I’ll write about, and here’s the record of madness.

A kiss for my children.

I think that was my last experience with lassi. In almost every city in the state of Rajasthan you can find Bhang, but I felt that it was enough, I had already played, done my crazy and I did not want to do it anymore.

I left Pushkar with a tight heart like never before on the trip. Kevin and Anouska are amazing, we laughed together and we had great moments. It was hard to say goodbye to them, my Special Lassi Friends!

To you who are thinking of going to India one day, go to Pushkar, become hippie there, take a Bhang Lassi, enjoy the moment and record a video for the children.

Thank you Pushkar, Kevin, Anouska, and of course thank you Bhang Lassi.

Obrigado Universo.

 

Below are some photos I took in Pushkar.

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